sexta-feira, 27 de junho de 2008

Nietzsche

Ninguém pode construir em teu lugar
as pontes que precisarás passar
para atravessar o rio da vida
- ninguém, exceto tu, só tu.
Existem, por certo, atalhos sem números,
e pontes, e semideuses que se oferecerão
para levar-te além do rio;
mas isso te custaria a tua própria pessoa;
tu te hipotecarias e te perderias.
Existe no mundo um único caminho
por onde só tu podes passar.
Onde leva? Não perguntes, segue-o.

Nando Reis - No Recreio

 nando reis - no recreio


Quer saber quando te olhei na piscina
se apoiando com as mãos na borda
fervendo a água que não era tão fria
e um azulejo se partiu
porque a porta do nosso amor estava se abrindo
e os pés que irão por esse caminho
vão terminar no altar
Eu só queria me casar
com alguém igual a você
E alguém igual não há de ter
então quero mudar de lugar
eu quero estar no lugar
da sala pra te receber
na cor do esmalte que você vai escolher
só para as unhas pintar
quando é que você vai sacar
que o vão que fazem suas mãos
é só porque você não está comigo?
só é possível te amar...

seus pés se espalham em fivela e sandália
e o chão se abre por dois sorrisos
virão guiando o seu corpo que é praia
de um escândalo, charme macio
que cor terá se derreter?
que som os lábios vão morder?
vem me ensinar a falar
vem me ensinar ter você
na minha boca agora mora o teu nome
é a vista que os meus olhos querem ter
sem precisar procurar
nem descansar e adormecer
não quero acreditar que vou gastar desse modo a vida
olhar pro sol, só ver janela e cortina
no meu coração fiz um lar
o meu coração é o teu lar
e de que me adianta tanta mobília
se você não está comigo?
só é possível te amar
ouve os sinos, amor
só é possível te amar
escorre aos litros o amor


Aos Políticos Brasileiros

Recentemente, foi sancionada a lei “Tolerância Zero” que pune rigorosamente todo o cidadão que estiver dirigindo como uma quantidade mínima de álcool, um chopp já é suficiente para a punição. Para os mais desavisados, o motorista que for pego com dois decigramas de álcool por litro de sangue que correspondem a um décimo de miligrama de álcool por litro de ar expelido dos pulmões no caso de análise por bafômetro, pagará uma multa de 955 reais, perde a carteira por um ano e caso envolvido em acidente poderá ser indiciado por homicídio doloso (quando há a intenção de matar) e pegar até 20 anos de cadeia.

Como tudo na vida, a lei tem seus lados positivos e negativos. Mas venho sugerir aos políticos mais uma lei de Tolerância Zero. Tolerância Zero contra a corrupção. Seria algo bem prático e viável. Funcionaria mais ou menos da seguinte forma, o político que for comprovado que desviou a quantia mínima de R$0,01 centavos, seria multado e teria o cargo cassado assim que surge a comprovação do ato. Assim como acontece com os cidadãos que depois de uma semana cheia resolvem tomar um chopp e ao ser abordado dirigindo “alcoolizado” tem sua carteira tomada. Afinal, assim como na lei de Tolerância Zero atual, o que importa não é a quantidade e sim o ato de ter álcool no organismo ou dinheiro na cueca.

Aí queria ver os mensaleiros, os sanguessugas, os desvios do dinheiro da merenda escolar, os caixas dois, os laranjas, enfim todos esses bananas nas cadeias, respondendo pelos seus crimes de forma severa. Sem CPI`s, afinal se foi pego com álcool, não adianta entrar com recursos e mais recursos, vai ficar sem a carteira mesmo, não vai ter uma CPI para investigar e descobrir como o álcool chegou ali, ele estava ali e pronto acabou.

Assim como acontece com o cidadão que se recusa a fazer o bafômetro ou o exame de sangue, que nada mais é que gerar provas contra si. O político que dificultar o processo de investigação quanto ao suposto desvio deveria já começar o seu julgamento com a balança desfavorável, afinal, com a gente vai ser assim.

Por fim, a grande diferença entre as duas leis. A primeira e que está em vigor atinge todos. Atinge quem presta e quem não presta. Atinge quem bebeu só pra se divertir e quem bebeu pra fazer bobagem. A segunda não, a segunda atinge, única e exclusivamente, os nossos políticos desonestos, porque quem desvia – que desvia o que né?! ROUBA mesmo – merece ir pra cadeia. E que os justos continuem seu trabalho e use o seu novo lema: Se for eleito não roube, se for roubar não me chame. Algum deputado quer abraçar a causa? Aguardo retorno.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Espírito Natalino - Moacyr Scliar

“Homem disfarçado de Papai Noel
tenta matar publicitária em SP.”
(Caderno Cotidiano – FSP – 18/12/01)


Primeira coisa que ele fez, ao chegar em casa, foi tirar a roupa de Papai Noel: estava muito quente, suava em bicas. Também queixou-se de dor na coluna. Isso é por causa do saco que você carrega, observou a mulher. De fato pesava bastante, o tal saco. A razão ficou óbvia quando ele esvaziou o conteúdo sobre a mesa: revólveres, granadas, submetralhadoras, vários pentes de munição. Já não dá para sair de casa sem um arsenal resmungou. 0 seu mau humor era tão óbvio que ela tentou amenizá-lo, puxando conversa. Como foi o seu dia, perguntou.

— Um desastre foi a azeda resposta. — Mais uma vez errei a pontaria. Já é a segunda vez nesta semana.

— Isto é o cansaço — disse ela.

— Você precisa de um repouso. Amanhã você vai ficar em casa, não vai?

— De que jeito? Tenho trabalho

-Amanhã? No dia de Natal?

— O que é que você quer? É a minha última chance de usar a fantasia de Papai Noel Tenho de aproveitar.

Suspirou:

— Vida de pistoleiro de aluguel é assim mesmo, mulher. Natal, Ano Novo, essas coisas para nós não existem. Primeiro a obrigação. Depois a celebração.

Ela ficou pensando um instante. — Neste caso — disse —, vamos antecipar a nossa festinha de Natal Vou lhe dar o seu presente.

Abriu um armário e de lá tirou um caprichado embrulho. Surpreso, o homem o abriu com mãos trêmulas. E aí o seu rosto se iluminou:

-Um colete à prova de balas! Exatamente o que eu queria! Como é que você adivinhou?

— Ora — disse ela, modesta, afinal de contas eu conheço você há um bocado de tempo.

Ele examinava o colete, maravilhado. E aí notou que ele era todo enfeitado com minúsculos desenhos.

— O que é isto? perguntou intrigado.

Ela explicou: eram pequenas árvores de Natal e desenhos do Papai Noel, trabalho de uma habilidosa bordadeira nordestina:

— Para você lembrar de mim quando estiver trabalhando.

Ele começou a chorar baixinho. Em silêncio, ela o abraçou. Compreendia perfeitamente o que se passava com ele. Ninguém é imune ao espírito natalino.

Beatles Eleanor Rigby by Pitty

  Pitty - Eleanor Rigby


Ah, look at all the lonely people!
Ah, look at all the lonely people!

Eleanor Rigby picks up the rice in the church
Where a wedding has been
Lives in a dream
Waits at the window
Wearing a face that she keeps in a jar by the door
Who is it for?

All the lonely people
Where do they all come from?
All the lonely people
Where do they all belong?

Father Mckenzie, writing the words of a sermon
That no one will hear
No one comes near
Look at him working, darning his socks in the night
When there´s nobody there
What does he care?

All the lonely people
Where do they all come from?
All the lonely people
Where do they all belong?

Ah, look at all the lonely people!
Ah, look at all the lonely people!

Eleanor Rigby died in the church
And was buried along with her name
Nobody came
Father Mckenzie wiping the dirt from his hands
As he walks from the grave
No one was saved


quarta-feira, 25 de junho de 2008

Teco - O Macho Alpha

Clique na imagem para ampliar

Elvis Costello - She

Elvis Costelo - She


Tradução

Ela

Ela pode ser o rosto que eu não consigo esquecer
O caminho para o prazer ou para o desgosto
Pode ser meu tesouro ou o preço que eu tenho que pagar
Ela pode ser a música de verão
Pode ser o frio que o outono traz
Pode ser cem coisas diferentes
Em um dia

Ela pode ser a bela ou a fera
Pode ser a fome ou a abundância
Pode transformar cada dia em um paraíso ou em um inferno

Ela pode ser o espelho de todos os meus sonhos
Um sorriso refletido em um rio
Ela pode não ser o que ela parece
Dentro dela mesma

Ela, que sempre parece tão feliz no meio da multidão.
De quem os olhos parecem tão secretos e tão orgulhosos
Ninguém pode vê-los quando eles choram

Ela pode ser o amor, que não espera que dure.
Pode vir a mim das sombras do passado.
Que eu irei me lembrar até o dia de minha morte

Ela pode ser a razão pela qual eu vivo
O porquê e pelo que eu estou vivendo
A pessoa que cuidarei nos tempos e nas horas mais difícieis

Eu irei levar as risadas e as lágrimas dela
E farei delas todas as minhas lembranças
Para onde ela for, eu tenho que estar lá
O sentido da minha vida é ela
Ela... oh, ela

terça-feira, 24 de junho de 2008

Álvares de Azevedo - É Ela! É Ela! É Ela! É Ela!

É ela! é ela! — murmurei tremendo,
e o eco ao longe murmurou — é ela!
Eu a vi... minha fada aérea e pura —
a minha lavadeira na janela.

Dessas águas furtadas onde eu moro
eu a vejo estendendo no telhado
os vestidos de chita, as saias brancas;
eu a vejo e suspiro enamorado!

Esta noite eu ousei mais atrevido,
nas telhas que estalavam nos meus passos,
ir espiar seu venturoso sono,
vê-la mais bela de Morfeu nos braços!

Como dormia! que profundo sono!...
Tinha na mão o ferro do engomado...
Como roncava maviosa e pura!...
Quase caí na rua desmaiado!

Afastei a janela, entrei medroso...
Palpitava-lhe o seio adormecido...
Fui beijá-la... roubei do seio dela
um bilhete que estava ali metido...

Oh! decerto... (pensei) é doce página
onde a alma derramou gentis amores;
são versos dela... que amanhã decerto
ela me enviará cheios de flores...

Tremi de febre! Venturosa folha!
Quem pousasse contigo neste seio!
Como Otelo beijando a sua esposa,
eu beijei-a a tremer de devaneio...

É ela! é ela! — repeti tremendo;
mas cantou nesse instante uma coruja...
Abri cioso a página secreta...
Oh! meu Deus! era um rol de roupa suja!

Djavan - Se

 Djavan - Se...


Você disse
Que não sabe "se não"
Mas também
Não tem certeza que "sim"...

Quer saber?
Quando é assim
Deixa vir do coração
Você sabe
Que eu só penso em você
Você diz
Que vive pensando em mim...

Pode ser
Se é assim
Você tem que largar
A mão do "não"
Soltar essa louca
Arder de paixão
Não há como doer
Prá decidir
Só dizer "sim" ou "não"
Mas você adora um "se"...

Eu levo a sério
Mas você disfarça
Você me diz à beça
E eu nessa de horror
E me remete ao frio
Que vem lá do sul
Insiste em "zero" a "zero"
Eu quero "um" a "um"...

Sei lá, o que te dá
Não quer meu calor
São Jorge, por favor
Me empresta o dragão
Dragão!
Mais fácil aprender
Japonês em braile
Do que você decidir
Se dá ou não...

Você disse
Que não sabe "se não"
Mas também
Não tem certeza que "sim"...

Quer saber?
Quando é assim
Deixa vir do coração
Você sabe
Que eu só penso em você
Você diz
Que vive pensando em mim...

Pode ser
Se é assim
Você tem que largar
A mão do "não"
Soltar essa louca
Arder de paixão
Não há como doer
Prá decidir
Só dizer "sim" ou "não"
Mas você adora um "se"...

Eu levo a sério
Mas você disfarça
Você me diz à beça
E eu nessa de horror
E me remete ao frio
Que vem lá do sul
Insiste em zero a zero
Eu quero um a um...

Sei lá, o que te dá
Não quer meu calor
São Jorge, por favor
Me empresta o dragão
Dragão!
Mais fácil aprender
Japonês em braile
Do que você decidir
Se dá ou não...


segunda-feira, 23 de junho de 2008

Titico na Festa Junina - Danny Bicalho


Titico na Festa Junina - Danny Bicalho
Clique na imagem para ampliar
Mande você também o seu desenho de titico - o menino levado para o e-mail raphael.godoy@yahoo.com.br , ele poderá ser publicado aqui!!!
:D

Alphonsus de Guimaraens - Ismália

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...

Zezé de Camargo e Luciano - Olha eu aí

Zezé Di Camargo e Luciano - Diferente - 2006 - 11 Olha Eu Ai


Olha eu aí viajando no seu sentimento
Dentro do seu coração
Olha eu aí de repente no seu pensamento
Andando em sua direção
Um brilho no olhar
Da paixão que bateu
E já era tempo
De deixar acontecer, valer o seu desejo e o meu
A gente à vezes deixa de amar por não ouvir o coração falar
Por orgulho, vaidade ou sei lá o quê
Não vale a pena sentir solidão
Se eu posso dizer sim pra que vou dizer não
Meu amor foi feito na medida pra você
É só me deixar provar e amar
Você vai ver
Olha eu aí
Olha eu aí
Olha eu aí
Olha eu aí