Prosa e Verso
Não gosto de escrever sobre amor. O amor foi feito para quem gosta de sentimentalidades. Frase óbvia mas nem tanto, afinal até mesmo aqueles que não gostam um dia sentiram. Amor é para quem gosta das poesias, palavras de afeto não costumam ficar bem dispostas em prosa. Ah sim, você deve se perguntar: “e as cartas de amor?” Eu respondo: São ridículas. E você emenda: “Mas são ridículas porque são de amor.” Mas não é por isso que elas deixaram de ser ridículas.
Por isto prefiro o verso para falar de amor, poesias são feitas para serem sentidas e prosas para serem contadas e ouvidas. Então você se pergunta: E as músicas para que foram feitas? E eu novamente respondo: As músicas foram feitas para serem ouvidas com o coração, da mesma forma que os monólogos foram feitos para serem pensados.
Músicas que falam de amor geralmente fazem sucesso porque todas as histórias de amor são parecidas e o fim delas são quase sempre os mesmos, se felizes não rendem música. Se infelizes, rende, no mínimo, uma moda sertaneja. Já os textos de auto-ajuda funcionam muito bem, pois eles não falam do amor, falam sobre os relacionamentos. Nada nos ensina a amar mais, ou desamar alguém. No máximo, nos ensinam a lidar com os sentimentos.
E são por causas divagações que me atormentam e me bloqueiam a criatividade na hora de escrever. Quando não se ama ninguém, fingi-se amar. Fala-se um sentimento que não existe e você o idealiza, como deveria ser e principalmente como não deveria . Quando se fala de um sentimento que já existe, faltam palavras, e aquele que se sente tão racional, não consegue racionalizar nem mesmo os próprios sentimentos. Por isso é mais fácil falar daquilo que não se sente.
Sempre que me vejo nessa situação lembro-me de Fernando Pessoa quando disse: “O poeta é um fingidor, finge até a dor que deveras sente”. Já o cronista não. O Cronista se dá ao luxo de usar sua criatividade, mas não a ponto de mentir sobre suas verdades e sentimentos. O cronista precisa de nexo para transmitir o que deseja e as mentiras não têm qualquer nexo, assim como os sentimentos.
Ouvindo Oswaldo Montenegro descobri uma coisa e que explica por que os sentimentos negativos são mais fáceis de se expressar do que os que nos fazem bem. “Como fere e faz barulho o bixo que se machucou”. Uma frase simples, mas que diz muito, o coração ferido urra de dor, o coração bem amado fala baixo a quem se ama.
Não entendo muito do amor, sou um tanto quanto atrasado nesta matéria. Deveria ter aprendido muita coisa, mas pouco aprendi e continuava repetindo os mesmos erros. O jeito é começar de novo e aí quem sabe fica fácil escrever em prosa sobre amor. Talvez alguém me ajude, duas cabeças pensam melhor que uma. Talvez alguém simplesmente me ensine. Mas, o fato, é que pela primeira vez eu reconheço: preciso aprender amar. E pela primeira vez realmente sinto vontade de amar alguém.
Humpf... não disse que quando se põe amor em prosa, a coisa toda fica ridícula?