sábado, 5 de dezembro de 2009

Saudade (De Novo)

Hoje acordei pensando na tal da saudade. Sentimento que nos castiga. Sentimento que nos faz ficar preso a um passado e nos impede de viver o presente pensando no futuro. Saudade de quem se tem é ótimo, porque o outro não está próximo, mas sabe-se que se tem. Saudade de quem já não faz parte de nossas vidas é pior, pois nos faz sentir perdidos com este sentimento.

Saudade de quem se tem, se mata. Saudade de quem se foi, nos mata. E o pior desta saudade é a angústia que fica. Será que ela também sente minha falta? Será que se lembrou de mim quando ouviu aquela música, ou sentiu aquele cheiro? Será que ela se lembrou de nossas datas e nossos planos? E o pior de tudo é quando para todas essas respostas ouvimos um grande e sonoro não.

Aí pensamos, refletimos e vemos que tudo que vivemos não passou de uma ilusão. Juras de amor e promessas de dedicação em vão. Sonhos divididos que se quebraram e caíram ao chão. O outro passa a sentir interesse por outras pessoas, passa a querer se entregar a novas pessoas.

Gostaria de saber que ela sente falta. Que ela sente falta do nosso abraço, do meu cheiro, do meu jeito. Da forma como a tratava, da forma como seus braços me procuravam quando estava triste. Das vezes que no silêncio que havia entre a gente, falava-se muito mais do que em horas de conversa. Ou melhor, nem precisaria ficar sabendo se ela sente ou não. Bastava ela sentir.

A distancia nos faz esquecer as pessoas. Isso é normal. Queria saber como ela reagiria ao me ver. Será que seu coração despararia? Ou será que passaria por mim como se eu fosse um desconhecido? Como alguém que ela conheceu e fez questão de esquecer. Queria poder acreditar que um dia ela voltaria correndo, com um sorriso no rosto e olhar sereno de quem se arrependeu de ter partido.

Mas aqui estou eu, perdendo minutos preciosos de meu dia, escrevendo coisas que ela nunca lerá. Escrevendo coisas que são minhas e me envergonho de expor. Colocando palavras “no papel” que nunca serão conhecidas. Pois a saudade é assim mesmo. Foi feita para se sentir sozinho, eu apenas teimo em querer que um dia, por acaso, ela sinta junto comigo e volte para meus braços.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Conto de Fadas I - Por Thales Godoy

"Era uma vez uma princesa,
À procura de seu principe encantado,
Em um belo dia ela viu um sapo na beira de córrego,
Na certeza de que era um príncipe encantado a espera de um beijo,
Ela o beijou;
O sapo não era encantando,
Era apenas um sapo cururu da língua presa,
Ela pegou uma doença rara transmitida pelo sapo,
E morreu,
Fim."

Por Thales Godoy

Briga de Casal

Pode levar. Pode levar os discos, os livros, as roupas. Ou melhor, os discos não, são meus, coleciono-os desde antes de te conhecer, o resto que leve embora. Não adianta me olhar com essa cara de “o que foi que eu fiz?”, você sabe muito bem o que você fez. Não, não me refiro àquela vez que você saiu com aquela sua amiga, “deise sei lá o que” e chegou lá pelas tantas da madrugada. Ah, sim, você sabe do que estou falando e sempre soube que não sou homem que atura esse tipo de vagabundagem.

Nem adianta vir com essas desculpas esfarrapadas, bebi demais, eu fui fraca ou qualquer bobagem dessas, eu te conheço, e não é de hoje, para saber muito bem que você não faz nada antes que pense bastante no assunto. Pois bem, desta vez pensou errado. Junte suas coisas e volte para casa da sua mãe. Bendito o dia que fui te tirar de lá. Meus amigos me avisaram, falaram, mas eu acreditei? Não, preferi escutar o coração. Que bonitinho. Um homem de 30 e poucos anos acreditando no amor e que ele tudo suporta. Amor o escambal.

Foi tudo lindo, do jeito que você sempre quis, igreja, padre que fala outra língua (acho que ele foi o único que entendia alguma coisa na cerimônia), florista, dama-de-honra, pajens, até aceitei seu cachorrinho (aquela praga) entrar com a aliança amarrada no pescoço, para mais tarde devorar meu sapato comprado exclusivamente pro casamento. E lá estávamos nós, diante de um altar, com o padre que murmura algo incompreensível, jurando fidelidade e amor eterno. Quanta inocência para duas pessoas calejadas pelos relacionamentos.

Claro, a parte do prometo amar-te e repeitar-te você não deve ter escutado, graças ao padre que VOCÊ escolheu. Ta bom, ta bom. Paro de implicar com aquele padre, mas que você deveria ter prestado mais atenção a estas palavras isso devia. Nem quando você ficou enorme daquele jeito depois da gravidez eu olhava pro lado. Passei meses comendo vegetais e outras coisas sem gosto pra te apoiar na dieta, e enfim vencemos, você perdeu aqueles 20 quilos. Ta bom, 18, que seja. E eu, se não fosse os hambúrgueres e outros engordativos escondidos, tinha desaparecido da face da terra.

E aonde você pensa que vai? Não vai relutar, não vai tentar se explicar, me convencer a deixar a você ficar? Ótimo, melhor assim, deste jeito você me poupa de ouvir essas desculpinhas e seu mimimi insuportável. Por falar em mimimi, faça-me o favor de desgravar aquela mensagem horrorosa da secretaria eletrônica. Porque quando a gente ta apaixonado fica parecendo com um adolescente estúpido?

Como assim só mais cinco minutos? Você vai ficar aqui até eu acabar, ou ta achando que vou ficar com alguma coisa entalada aqui. Prefiro falar tudo agora e nunca mais precisar olhar na sua cara de novo. Por falar em cara, depois a gente vê como fica aquela grana que você pegou pra fazer botox e não sei mais o que. Não sei que necessidade é essa de querer ficar toda esticada. Você até estava muito bonita antes. Não me venha com essa cara de surpresa porque te elogiei, sempre fiz elogios, você sabe como eu sou.

Não dê as costas pra mim, eu já avisei, que você vai ouvir tudo. Não vai restar nada, por falar nisso, a sua filha, ta ficando igualzinha a você. Cada dia é um carinha novo ligando, não sei mais o que faço com essa menina. Não demora e já está todo mundo comentando. Pelo menos sei a quem ela puxou. Quer saber? Me dá nojo olhar pra sua cara, pode ir embora, mas vá rápido. Te ajudar com as malas? Você ta brincando comigo né!? Se vira, quando fez o que fez não precisou de minha ajuda. Vai lá, vai pedir ajuda pro Armando.

Como assim ele ta na porta te esperando? Você não pode me deixar, eu que tenho que mandar você embora. Mande ele embora agora, que hoje você não sai de casa. Capaz que vou aceitar ser corno e trocado no mesmo dia, de forma alguma. Você fica, o Armando vai e amanhã te expulso de casa de novo. Até te ajudo com as malas. Mas você vai pra casa da sua mãe.

Não vai aonde eu mando?! Pare de besteira, quer saber? Vou fazer melhor, você fica e eu não te dou o divórcio. Você vai comer o pão que o diabo amassou, dia após dia, esse vai ser seu pagamento pelo que fez comigo. Não sou homem que atura esse tipo de vagabundagem. Eu sei que já disse isso com as mesmas palavras, não precisa me lembrar. Agora vai lá, desfaça essas malas e faz a janta. Ou melhor, janta não, hoje vamos comer pizza, 4 queijos, é o que tem pro jantar.

O que está esperando? Coma logo vai esfriar, aí vai ficar ruim e você não vai comer. Já sei, tem um resto de frango desfiado do almoço, vou esquentar e colocar pra você comer, vai ficar uma delícia. Não falei? Sente o cheiro, agora coma tudo. Esta discussão foi desgastante. Tome banho no outro banheiro, hoje você dorme no quarto de Bianca, ela saiu com o namorado e até agora não voltou. Que droga, mais essa. Cadê essa menina? Marta, ache sua filha agora e mande-a voltar pra casa. Aonde vai com a chave do carro? Use o celular mulher, desta casa você não sai hoje. Pode deixar que eu ligo, vá pro quarto da Bianca que ela dorme na nossa cama e eu no sofá. Amanhã pela manhã conversamos.

O que foi minha filha? Já é manhã? Como assim tem um Armando esperando sua mãe aí fora. Mande ele embora, que hoje ela não vai a lugar nenhum, muito menos com alguém com um nome desses. Ele disse que sua mãe falou que poderia vir hoje? Nem hoje, nem nunca. Sua mãe fica e ponto final. Ela só vai embora no dia que eu der o divórcio, isso se EU der o divórcio. Rubem Braga já dizia que o que faz o casamento durar é o ódio entre duas pessoas, concordo com ele, e vamos até a bodas de ouro com certeza. Eu sei que faltam 30 anos, mas é o castigo da sua mãe.

O Armando de novo? Manda ele pro inferno, que sua mãe não vai embora. E daí que eles se encontraram ontem a noite? Problema o deles, mas até que eu NÃO queira mais, sua mãe é minha esposa, e esposa minha não deixa minha casa. Não sou homem que atura esse tipo de vagabundagem.

- E assim o tempo passou. Marta continuava se encontrando com Armando. Bianca continuava saindo as escondidas. E ele, continuava sendo o homem que não atura esses tipos de vagabundagem. Foram felizes assim por mais 30 anos, até a bodas de ouro, quando finalmente, Armando, já com 80 anos, pode levar Marta embora.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Saudade!

Saudade foi feita pra matar

Se é a mim, ou a si mesma

Ela não quis me revelar



Saudade foi feita pra lembrar

De quem sempre esteve aqui

E somente nas lembranças agora está



Saudade foi feita pra sentir

Aperto no peito, vazio na alma

Tudo, ou nada, que sobrou antes de partir



Saudade foi feita pra chorar

O choro incontido dos dias que não voltam

ou choro alegre daquele que resolveu voltar



Saudade foi feita pra sorrir

Dos bons momentos que ficaram para trás

Das coisas boas que nos satisfaz



Saudade foi feita pra sonhar

Com teus abraços e beijos

Para vivenciar meus desejos



Saudade foi feita pra ficar

Ficar agora e para sempre

Até o dia que for para matar

Se é a mim, ou a si mesma

Ela não quis me revelar

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Um dia o amor acaba

Um dia o amor acaba. Depois disto, o que resta? Um dia o amor acaba e eu não sei aonde a chama se extinguirá primeiro, se é em mim ou se é em você. No momento, não sei qual das duas hipóteses seria pior.

Por um lado posso sair como a vítima da história toda, o injustiçado, aquele que fez de um tudo um muito para que desse certo e no entanto foi recompensado com todo desprezo e indiferença que nem imaginava poder existir.

Por outro lado posso ser o vilão, aquele, que apesar de tudo, um dia vai acordar e não vai querer saber do amor, dos momentos a dois e vai mandar tudo pro ar, dizimando toda alegria que um dia seu sorriso carregou.

Pode ser que o amor não dure, e tornemo-nos somente bons amigos. Pode ser que numa experiência mágica decidamos ao mesmo tempo que não nos amamos mais e que tudo que passamos foi bom, mas já não servia mais. Que o nosso caso foi só mais um e nos faremos acreditar que há alguém muito especial a nossa espera, em algum lugar.

Pode ser que mesmo que seja assim, a dúvida bata em nossos corações e nós voltaremos, talvez por egoísmo, talvez por querer ter só para saber que se tem e assim mantemos por perto as lembranças.

Pode ser que o amor ainda dure, mas as divergências e os empecilhos que a vida impõe sejam mais fortes e desta forma tudo acabe. Nos veremos na rua, os olhares se cruzarão, o coração irá bater mais forte e descompassado, iremos ensaiar um sorriso, um aceno, abaixaremos a cabeça, e pensaremos “por que teve que ser assim?”

Pode ser ainda que ele não dure e nem se acabe, apenas se transforme outra coisa, em respeito, em amizade, em companheirismo. Coisas muito bacanas de curtir mas apenas com uma certa idade. O que é um namoro sem sentir aquele friozinho na barriga?

Pode ser que o amor dure para sempre e vivamos uma vida perfeita, sem brigas, discussões, preocupações e de forma que tudo pareça o “felizes para sempre” de todas os contos de fadas que já foram contados.

Pode ser também que nada disso aconteça, ou que tudo isso aconteça ao mesmo tempo. O amor não tem lógica e não serve para ser pensado. Então para que pensar na melhor forma de amar? Para que pensar se um dia ele se acabará? Melhor é viver o que a vida oferece para ser vivido. Melhor é deixar os pensamentos para as coisas que foram feitas para serem pensadas e simplesmente viver o presente.

Pode ser que um dia o amor acabe ou talvez não, isto é incerto e faz parte da vida. Mas estas dúvidas só são respondidas quando nos colocamos em movimento. Sendo assim, simplesmente amemos. Pode ser que um dia acabe, mas se abrirmos mão de nossos amores, pode ser que nunca vivamos.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Amores Platônicos

Quem acompanha o que escrevo, o que não deve ser mais do que eu e uma ou duas pessoas, deve pensar que sou a pessoa mais sentimental do mundo, que sonha com amores de contos de fadas, acredita em alma gêmea e que o amor tudo pode. Estas afirmações não deixam de ser meias-verdades, caso não acreditasse nem que seja um pouco em cada uma dessas coisas, nunca poderia ter dito que amei. No entanto, sentimentos não são o meu forte. Geralmente, me atrapalho todo e meto os pés pelas mãos.

Me recordo dos meus amores pré-adolescentes, quase infantis. Geralmente, ficava olhando de longe, querendo me aproximar, mas com medo de me sentir um idiota nada fazia e, por isso mesmo, nada acontecia. Como fuga, criava e destruía amores em forma de textos, poemas e poesias. Apesar de não considerar de todo ridículo, isso nunca me ajudou com as pessoas que alimentavam minhas paixões. Posso citar aqui, pelo menos meia dúzia de pessoas por quem me apaixonei, sofri e esqueci, sem nunca ao menos ter tentado dividir o que sentia. Quando conseguia dividir era de forma exagerada, atrapalhada e mais afastava do que aproximava. Lembro-me de uma vez que no meio de uma paixão desordenada, sofria por não a ter, e um belo dia resolvi desistir,e pior, resolvi através de um poeminha dizer que havia desistido dela sem nunca ter dito que queria estar com ela. Hoje me sinto ridículo por isso. Tempos mais tarde (ou foi antes?), fui responsável por outra paixão desordenada, desta vez, eu era até próximo da pessoa, mas com atitudes nada normais e completamente intimadoras consegui a afastar, e pior, a fiz tomar raiva de mim.

Meus 12, 13 anos, já se passaram há tempos, mas essas experiências voltam a me visitar vez ou outra, talvez para acordar a criança interior que há em mim, talvez para me fazer querer acreditar no amor romântico, dos tempos de Capitu, onde cartaz de amor e declarações apaixonadas, valiam muito mais do que valem hoje. Então fico ali, desejando de longe, distante, querendo me aproximar mas, sem saber quando, ou como. Coisas que geralmente parecem e realmente são simples de se fazer, mas que se intrometem entre mim e a pessoa, como se fosse um muro gigantesco dizendo que eu posso querer, mas não posso conseguir.

O amor platônico é assim, apaixonar sozinho, sofrer sozinho, esquecer sozinho e ninguém no mundo sabe sequer de qualquer um destes acontecimentos, pois, o amor platônico é oculto aos que estão do lado de fora (talvez por sua natureza constrangedora para aquele que “ama”). Apaixonar-se por quem se conhece bem é algo natural e geralmente recíproco. Apaixonar-se a distancia é quase uma patologia, um evento bizarro causado por um distúrbio qualquer.

Certa vez, me perguntaram qual o porquê desse sentimento e eu não soube explicar. Ele vem sabe-se lá de onde e fica sabe-se lá porque. Não há um motivo real, nem sempre elas são as mais belas, nem as mais inteligentes, nem as mais cobiçadas, elas são apenas eleitas por um coração burro, suscetível a paixões passageiras e solitárias. Nestas horas vem o incomodo de ver que toda experiência que adquiri até aqui, de nada me servem diante destes sentimentos desordenados que me visitam, abalam meu mundo e vão embora como se fossem bárbaros que vem para destruir mas nunca para ficar.

A bola da vez é uma adolescente, ainda cheia de sonhos e expectativas em relação a vida, faculdade, carreira. Que culpa ela tem? Nenhuma. Nunca eu esperanças, ou me fez acreditar que poderia sentir algo por mim. Nunca me olhou de forma diferente, nem me disse algo que poderia considerar como oportunidade para me aproximar mais. Ela simplesmente é o que é, a culpa é minha, por mais uma vez, abrir espaço para uma paixão platônica sem ter ao menos uma justificativa plausível que se revela-se para mim e dissesse: você pode se sentir assim. Muito pelo contrário, tudo que aprendi com a vida, com os amores reais e as paixões desordenadas olha pra mim e com um tom intimador me questiona: Como pode se sentir assim? A resposta é sempre a mesma: não sei.

Mas com sentimentos assim só há duas alternativas e as duas frustrantes do ponto de vista do desejo que me domina. A primeira é me abrir, declarar e despejar tudo em cima da mesa, destruindo qualquer possibilidade de evolução, como sempre acontecia em experiências passadas. A segunda alternativa é deixar para lá, esquecer e colocar uma paixão mais palpável no lugar. Funciona, mas me instala uma duvida no peito e uma curiosidade na cabeça: como poderia ter sido se eu tivesse tentado?

Procuro uma terceira via e aceito sugestões. Mas como bom amante platônico que sou, tenho a impressão de que sugestões não surgiram e uma terceira via é algo improvável de acontecer. Tudo porque é solitário apaixonar-se desta forma e é solitariamente que se encontram as soluções para as confusões do coração.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

A menina que sorria com os olhos

Ela sorria com os olhos. Ele não a conhecia muito bem, mas pelo pouco que viu, tinha esta certeza: ela sorria com os olhos. Era um sorriso lindo, encantador e por isto mesmo, apaixonante.

Ele já a havia visto algumas vezes, mas o mesmo sorriso que lhe encantara, também o intimidava. O que ele queria dizer? Era um convite? Era apenas simpatia? Ou não era nada e ela só sorria por sorrir? Estas duvidas o paralisavam. Ele queria se aproximar, tocá-la, sentir seu perfume e abraçar seu corpo. Mas como? Ele mal a conhecia.

O sorriso que marcava tão profundamente seus pensamentos e habitava seus sonhos lhe parecia inalcançável e em seus devaneios ele queria ser o maior motivo por ela sorrir. Queria poder sentir que o brilho daqueles olhos risonhos era por causa dele, e que nada, nem ninguém poderia mudar isso. Emergindo de seus sonhos, ele voltava a realidade e voltava e pensar: “Não pode ser isto, alguém que há pouco conheço, já deve ser conhecida há muito tempo por outra pessoa, e talvez, esta seja a pessoa pra quem aqueles olhos sorriam.”

Na cabeça dele, pessoas como ela, dificilmente se encontraram sozinhas. São cobiçadas, desejadas, fáceis de amar. Mas um dia ele viu aquele sorriso, mas não lhe parecia o mesmo, era um sorriso mais sério, mais superficial, não lhe parecia o mesmo sorriso que o encantara e dominava seus pensamentos. Não ousou perguntar quem havia causado aquela transformação, mas sentia que algo errado acontecia naquele coração. De impulso quis saber o que aconteceu, queria poder castigar o infeliz que tirou o brilho daqueles olhos. Mas nada pode fazer, eles mal se conheciam.

Pensava em ligar, convidá-la para sair, mas o medo falava mais alto e uma voz inconveniente lhe dizia: “Pare com isso, se ela perdeu o sorriso que carregava antes, não será você que irá devolve-lo” e então ele pensava melhor, recuava e desistia. Mas duvida ainda alimentava sua ansiedade. E isso o assustava. Como poder gostar e desejar alguém que mal se conhece? Sua racionalidade e capacidade de enfrentar o mundo, adquirida a duras penas durante anos não lhe serviam de nada. Tudo isso se desfazia diante de um sentimento bobo, inocente, platônico e ele voltava a se sentir como se tivesse 15 anos, ou menos.

Ele voltava a deixar seu corpo deslizar na poltrona, fechava os olhos e se perguntava incessantemente o que fazer. Não queria se declarar, falar de sentimentos já está fora de moda, se forem platônicos então, piorou. Não queria mostrar interesse, mas a cada dia lhe parecia mais difícil. Não queria se mostrar ansioso, mas as tentativas de se aproximar o entregava.

Preferiu, por fim, esperar o momento certo, mesmo não sabendo direito o que é o momento certo. Lembrava que na hora do medo, a melhor solução é parar, pensar bem sobre o que fazer e esperar a hora certa. Agir nesta hora, geralmente dava resultados catastróficos, e não era assim que ele imaginava o fim desta história.

Gostaria de poder dizer que no fim, tudo deu certo, ou apenas afirmar que na confusão de seus sentimentos preferiu se afastar a ser rejeitado, ou ainda que a menina que sorria com os olhos descobriu seus sonhos e afastou-se. Mas, esta história ainda não chegou ao fim e algo me diz que ainda está longe de acabar.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Fila de Banco

Se há no mundo, um mal que todos um dia enfrentaram ou terão que enfrentar, esse mal é a tal fila de banco. Filas em geral já não sou boas, são cansativas, entediantes e na grande maioria das vezes as preenchemos para fazer algo que não queremos mas precisamos.

Não bastasse isso, raramente você encontra com algum conhecido, nem que seja para bater um papo e quando aparece algum, ele está do outro lado da fila, e não cabe ficar conversando à distância é muito inconveniente. Porém, por incrível que pareça, aquela mulher esquisita que está a sua frente conhece a outra que está do outro lado da fila, e elas não tem a menor preocupação em ser discretas. Ficam lá uma gritando com a outra, querendo saber dos filhos, do marido da outra, do cachorro, da tia que estava na UTI, estas coisas.

Somando-se a esta situação desagradável há também a mistura indescritível de odores. Muitas pessoas se enfeitam toda para simplesmente, ir ao banco, e outras mem sequer lembram do banho. Nesta situação fica aquela confusão de cheiros, perfumes importados misturando-se com o cheiro dos “emporcados” e ainda aqueles desodorantes que mais fedem do que cheiram. Até aí, tudo bem, são percalços da vida. Mas, alguém por favor me explique: Porque idosos, que tem atendimento preferencial por lei federal, cismam de ir ao banco justamente no horário do almoço?

Por lei, eles já tem idade para se aposentar, e a grande maioria está nesta situação, então eles tem de 11 às 16 para fazer o que tiver que fazer no banco e aí, eu que trabalho, tenho horário de almoço e tudo mais, fico lá, esperando eles serem atendidos em 5 minutos enquanto eu já espero a 50. Não sou contra o atendimento preferencial, mas o que eles fazem de tão importante depois das 13 horas que eles não podem ir ao banco neste horário?

Como se não bastasse escolher a hora mais inapropriada para resolver suas pendências bancárias, parece que eles vão aos bandos. Devem estar lá no ponto de ônibus, um comenta que tem que ir ao banco e o outro inventa motivo pra ir, e este conta pra outro, que conta pra outro... Quando chegam na agência, parece aqueles bandos que fazem assalto a banco, chega todo mundo junto com cara de sou fodão, pegam as fichas para atendimento, olham para sua cara e sorriem como se pensassem: SE FUDEU! Vai ter que esperar ainda mais tempo.

Sei que um dia serei idoso também, se Deus quiser. Mas pretendo ser um idoso com um pouco mais de noção das coisas. Vou respeitar horário de almoço dos outros, pois lembrarei como era incomodo estar com pressa, e esperar por mais de uma hora, sendo que não precisaria esperar meia.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Conto de Fadas

Sempre ouvi histórias e estórias que começavam com Era uma vez... Eram contos bacanas, repleto de aventuras, drama, medo, alegria, diversão, romance, lições de moral, mas uma coisa tinham em comum: um final feliz.

Histórias assim são boas de serem contadas e melhores ainda de serem ouvidas. Porque as coisas ruins e inusitadas prendem a atenção, a dor, o sofrimento são sentimentos adorados pelas pessoas. Por que? Pense em um "era uma vez qualquer" e agora lembre do personagem central, aquele que tem o seu final feliz. Lembrou? Aposto que ele sofreu meio do caminho.

Cinderela era escravizada pela madastra, Rapunzél ficou encarcerada, Branca de Neve ficou em coma, Chapeuzinho Vermelho foi aliciada e enganada, Cachinhos Dourados quase foi presa por invasão de propriedade privada, Pinóquio era um amaldiçoado, a Bela Adormecida foi outra que ficou em coma, Joãozinho e Maria foram mantidos em cativeiro, João (do pé-de-feijão) passava fome, Alice era uma viciada em alucinógenos... Poderia ficar aqui citando outros tantos.

Mas gostamos desses personagens. Gostamos do outro pela dor que ele tem, torcemos para que melhore, não sabemos o que acontece depois do felizes para sempre, o que nos faz acreditar que ser feliz seja um estado pleno. Ou seja, a pobre coitada da Branca de Neve nunca mais teve um desmaio, Alice se afastou das drogas, Chapeuzinho foi deixada de lado e ninguém nunca mais a tentou comer (?)... Que vida chata dessas pessoas. Elas não sofrem, elas são eternamente felizes! então para que falar delas?

Optamos por gostar das atribulações, quando não as temos, as inventamos. Afinal, para ser feliz para sempre tem que se sofrer um pouco, ou um muito, para, aí sim, desfrutarmos das coisas boas da vida. Como o livro acaba no suposto felizes para sempre, não há tempo para recaídas, não há tempo para a inveja alheia apodrecer os frutos. Mas com o tempo essas coisas acontecem. Por isso acredito que há muito mais após o final feliz.

Acredito que após Branca de Neve ter saído do coma, ela deve ter trocado de príncipe várias e várias vezes, afinal era a mais linda do reino. Cinderela ao se ver cercada do luxo deve ter entrado em uma crise de identidade o que a levou gastar horrores em shoppings e levou seu príncipe a falência. Alice deve ter tido outras tantas recaídas e visitado o país das maravilhas várias e várias vezes. E Rapunzel? Depois de anos usando aquele cabelo comprido deve ter cortado e entrado em depressão por se achar feia. João do pé de feijão, deve ter gastado toda sua nova fortuna atrás de outra coisa mágica que lhe permitisse ir mais alto, mas não havia.

Mas tudo bem. Nos fizeram acreditar que existe um "feliz para sempre" na página 236 do livro e que depois disso nada mais fez sentido ou foi relevante para que a história se continuasse. Tudo muito chato. Por isso, prefiro ser humano, saber que a felicidade eterna não existe, mas que a felicidade diária só depende de nossas escolhas e não de uma pessoa sem creatividade que para resumir a história apenas diz: E foram felizes para sempre.

Impressões

Nunca julgue um livro pela capa
as aparências enganam
as impressões se confundem
apesar de ser a primeira que fica
quem vê cara não ve coração
beleza não pões mesa
frases feitas, sem nenhuma conexão

Esmiuçar, Destrinchar, Dissolver
Palavras com significados diferentes
mas bonitas de escrever
Assim também são algumas mulheres
Bonitas, Atraentes, mas tudo aparentemente
Por dentro, o vazio, uma grande quantidade de nada
Nada constrói, nada destrói, simplesmente passa

Cafajeste, palavra chula e depreciosa
Mas é justamente este
Que fica com aquela mulher mais...

desejosa

Poderia ter usado gostosa, rimaria.
Mas como quero me diferenciar deste tipo de homem
Troco por outra, que àquela formosa dama, menos depreciaria

Redundante, chato, abstrato
Sim, definitivamente, um cara chato
Que ao invés de "cantar", prefere o termo galantear
Que ao invés de "pegar", ainda opta pelo conquistar
Destes as mulheres não gostam, são demasiados bons
Melhores que elas, e neste mundo competitivo,
onde se disputa em tudo, acabaram com os espaços dos Dons

Dom Juan, Dom Odilon, Dom Quixote
Galanteador, bom pastor, um perdedor
Reticiências...
Fim de minhas reminicências